Oliver Fuckn Stone

ImagemSelvagens (EUA, 2012). Mas caberia algo como “O Bom, o Mal, o Feio… e a Linda”, ou “Natural Born Killers De Verão”. Ou ainda “Traffic hardcore”. Oliver Stone na sua melhor forma desde Assassinos Por Natureza.

A história? Laguna Beach. Califórnia. Dois amigos, Ben e Chon, resolvem virar traficantes. Quando o negócio começa a render mais, ambos passam a ter um relacionamento simultâneo e aberto com a mesma mulher, Ophelia.  Tudo funciona as mil maravilhas para todos. Mas o sucesso empresarial da dupla desperta a atenção de um cartel mexicano que, desejando expandir e melhorar sua rede, propõe uma sociedade. “Uma espécie de joint venture, sem trocadilhos”. É o que diz Chon a um dos membros do cartel.  Essa frase sintetiza um pouco o bom roteiro de diálogos bacanas, descolados e sobre alguns temas contemporâneos assinado pelo próprio Oliver Stone, Shane Salerno e Don Wilson (tudo baseado em um livro homônimo desse último lançado em 2010 – mais sobre a obra aqui).

E o legal é que, sem querer, o filme faz, de certa forma, uma homenagem a Tony Scott (que faleceu um mês depois da estreia de Savages nos EUA mais ou menos) por conta do uso de alguns maneirismos típicos do diretor de Top Gun (amigo – e contemporâneo – do próprio Stone). E nessa toada de referências, temos um pouco de Tarantino também na película, que em alguns momentos é um romance. Sim, romance, pero, bem violento, à la Amor à queima roupa, filme de 93 cujo roteiro era do Tarantino e que foi justamente dirigido por… Scott!

Além disso, Stone conseguiu tirar algo de bom de atores mais ou menos que vivem os protagonistas: Aaron Johnson, como Ben, o “bom”, Taylor Kitsch, Chon, o “mal”, e Blake Lively, Ophelia, a “linda”. E o feio? Benicio Del Toro. Sensacional como sempre. Ele interpreta um personagem antagônico ao que fez em Traffic, mas igualmente marcante, e responsável por cenas fortes e pesadas (cabia um spoiler aqui, mas deixa pra lá).

Mas para não dizer que só elogiei, vamos lá. John Travolta, que interpreta um agente, poderia render mais. Ou Stone ter escolhido um outro cara para o papel (que pedia um ator mais irônico, tipo Sam Rockwell por exemplo). E, sim, claro, alguns clichês passeiam aqui e ali, como, por exemplo, um tradicional de  filmes policiais:

“Dois traficantes cheios de droga no carro. Estão tensos. De repente, eis que no retrovisor, uma patrulinha aparece. Um dos traficantes, obviamente, diz “Fuck” alguma coisa e já se prepara para o pior.”

A questão é: são clichês, mas são clichês dirigidos e escritos por Stone (o cara que escreveu “the world is mine”!). Ou seja, com o perdão do trocadilho, o filme é uma pedrada.

Daqueles filmes que, sabe se lá por qual motivo, demorei muito a assistir. E daquele tipo que provavelmente será reprisado na telinha daqui de casa. Pois o mundo não vai acabar.

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